Quando decidi revitalizar o blog, prometi para mim mesmo que teria uma regularidade, que DESSA VEZ, iria-me disciplinar e que pelo menos uma vez por semana iria escrever.
Fiz isso porque me sentia travada, desmotivada e sem prática para escrever academicamente. Os anos, apenas como professora da educação básica, sem pressão para escrever e publicar e a ponto de estourar com o estresse e as coações do sistema educacional, me fizeram desacreditar na minha própria escrita, foi, portanto para relaxar e principalmente para me resgatar enquanto escritora que resolvi escrever no blog, escrever de forma descompromissada poderia trazer de volta a vontade e a motivação para escrever academicamente.
E realmente eu não estava errada, voltei a escrever e em breve publicarei meu artigo em uma revista eletrônica, ainda não estou completamente satisfeita, essas duas ultimas semana o trabalho foi tão intenso que deixar passar a publicação da semana passada e o que ocorreu é que também não surgiu uma boa história para contar. A coisa (o blog) foi se encaminhando de tal maneira que quando dei por mim estava usando o blog para denunciar, para extravasar minha raiva e frustrações sobre alguns setores que me angustiava principalmente a educação. Minhas crônicas, que a priori seriam coisinhas sem importância, tornaram-se muito espaço para falar de coisas sérias como o descaso do nosso governo com a educação e a desvalorização do professor como profissional. Não sei se irei continuar escrever sobre isso, ainda não é minha intenção, mas sempre que eu me sentir revoltada por algo irei escrever, denunciar e mesmo que poucos acessem essa página ainda assim continuarei escrever, pois esse é meu espaço e utilizarei todas as armas que possuo para defender o que acredito.
Pois assim como disse Marthin Luther King:
"Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder, eu prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver"
E se você também é um que não admite e não consegue viver em conformidade com esse mundinho pequeno burguês, hipócrita e preconceituoso sinta-se a vontade para participar do Bloguinho, sempre é bom saber que não estamos sozinhos na luta.
Nunca imaginei transformar o blog em um veículo de denúncia, eu queria na verdade, descontrai, falar o que penso, enfim coisas divertidas. Mas infelizmente nas últimas semanas o que penso é atravessado pelo o universo da revolta. Revolta principalmente contra o descaso com a educação.
Nessa semana o governante da nossa sonífera ilha resolveu promover jogos escolares. A iniciativa seria louvável se não acreditasse que é apenas mais um artifício para tentar ludibriar a população e promover uma administração que se caracteriza pelo Caos.
As escolas do município foram convidadas a participar da abertura do JEPs (jogos das escolas públicas municipais, acho que é isso) no estádio do Nhozinho Santos e é claro a UEB em que trabalho foi prestigiar nossos atletas.
Saímos da zona rural com cerca de 80 crianças e chegamos por volta das 14h30min, mas, pelo que eu soube, já havia alunos de outras UEB desde as 13h30min.
Ao chegarmos lá nos deparamos com um sol forte, o calor escaldante, as cadeiras quentes e nenhuma proteção nas arquibancadas. Sentamos na parte da arquibancada que fazia menos sol, ao lado da única parte coberta e que é claro destinada a comitiva do prefeito, mas a “desorganização” do evento não se contentou com nossa iniciativa e nos removeu para um local no qual ficaria melhor para bater fotos e o prefeito nos avistar, ou seja, na área de maior sol.
É incrível como ninguém pensou na saúde daquelas crianças, era mais de 300 no sol quente, agoniadas, agitadas esperando um evento começar e que não começava. Sentir pena de meus alunos, onde está a promotoria quando precisamos dela? Porque tal evento não foi colocado em um local coberto? Porque deixar crianças esperando por quase 4 horas?
Depois de uma ação da diretora da escola, que foi até a organização começamos a distribuir garrafinhas d’água, mas já passavam das 16h30min e nada de lanche para os alunos, novamente a diretora foi à organização, mas o que conseguimos foi ser desrespeitadas por aqueles que se dizem responsáveis pelo evento.
ELE IRIA DISTRIBUIR O LANCHE! Foi o que nos disse. Meia hora depois o “lanche” estava sendo jogado aos nossos alunos, como se joga ração a animais.
Lá por volta das 17hs nosso prefeito chegou, acenou a todos e os atletas entraram. Cantou-se o Hino e foi aceso, o que acho que era uma pira olímpica e depois de tudo nosso ilustríssimo governante foi embora.
Um pequeno show parecia que iria acontecer, mas já passavam das 18h00min, pegamos nossos alunos e fomos embora, nos nossos ônibus velhos, desconfortáveis e rezando para que não pregasse.
Tal evento, com toda sua “organização”, deve ter “custado muito” aos cofres da prefeitura, tanto que acredito que será a justificativa (injustificável) para o atraso nos pagamentos dos professores contratados e dos funcionários das cooperativas que prestam serviços gerais e administrativos às escolas da prefeitura.
Enfim é assim que a Semed de São Luis trata a educação, criando eventos nas coxas, não ligando para as escolas, deixando alunos sem aula por falta de professores, colocando-os em ônibus que atentam a segurança de tão velho que estão;
Foi esse o presente de dia dos professores da prefeitura de São Luis, descaso para com os efetivos e atraso de salário aos contratados.
Essa desvalorização freqüente a nossa profissão me entristece profundamente e nos leva a fazer uma reflexão sobre o nosso dia. Devemos mesmo comemorar?
Devemos sair nos congratulando por temos uma profissão tão importante e tão desvalorizada?
Por ocasião do dia 15 um amigo a quem respeito muito, como pessoa e como excelente professor de História, escreveu em sua página do Facebook as seguintes palavras que apoio e compartilho com vocês.
“DIA DO PROFESSOR! O Profissional que blábláblá... Cansei dessa baboseira toda... Sinceramente!!! Não me parabenizem, não me falem o quanto minha profissão é importante para a construção de um país desenvolvido, não me digam que todas as outras profissões dependem, para existir de (bons) professores, pois a grande realidade é que o senso comum nos diz, verborragicamente, isso tudo, mas não somos,na realidade, valorizados por essa sociedade hipócrita, que, quando muito, sente pena de nós, professores! É comum ouvir as pessoas dizendo "é professor, coitado! vive correndo de um lado pro outro, cansado, doente..." Basta!!! Não aceito parabéns de ninguém! Parabenizar-nos um dia para que nos outros 364 continuemos nessa vidinha? Cansaço, salários baixos, falta de tempo para estudar, pesquisar... enfim... Continuarei professor pois sou convicto disso, mas enquanto não for valorizado, não vejo motivo para congratulações e homenagens!
Não acredito em discursos vazios e palavrórios de nossa classe, que vive de joelhos perante às representações governamentais e patronais, mendigando (e não exigindo o que nos é de direito...) por melhores salários e condições de trabalho. Qual o crédito que recebemos pelo papel VITAL que temos??? A representação sindical dos professores da rede estadual se vangloria de forçar o governo a pagar o piso salarial... (que é uma miséria e está previsto em lei!) - ainda assim, outras formas de reconhecimento e melhoria para a carreira docente, como políticas de incentivo a mestrado, doutorado e afins, sequer entram em discussão! Triste... Na rede particular...na rede particular... A "equação" é mais simples: CULTURA SINDICAL (não apenas dos Sindicatos, mas dos sindicalizados) = CAMPEONATO DE PRAIA + PAGODÃO DA EDUCAÇÃO + CAMPANHA SALARIAL ANUAL - (CONSCIÊNCIA DA CLASSE)... Somos ridicularizados porque nossa auto-estima, excetuando-se este dia, é baixíssima!Ah... e só para completar... Na rede federal, os IF's, em greve há mais de 2 meses, sequer recebem alguma referência... Lembram da greve dos Correios e Bancos? Esses sim, tratados pela imprensa e sociedade como serviços essenciais - QUE REALMENTE SÃO!!! Já o nosso métier, posto de lado pelo governo, pela imprensa (divulgação de notas minúsculas...) e, desta forma, pela sociedade... Enfim, ainda assim, ACREDITO! Gosto do que faço e faço muito bem, sem falsa modéstia! Quero, contudo, que o suor do meu trabalho (que desempenho com muita dignidade), seja o bastante para que eu possa proporcionar à minha família uma vida material estável e digna. Ainda assim, agradeço imensamente o carinho manifestado por alunos-amigos que sei que tenho! Vocês são, de fato, um combustível essencial para nós nessa lida diária! E é isso!
Chega de ficar aceitando míseros parabéns desses podres poderes (público, privado, midiático) nossa categoria merece mais, merece RESPEITO. Assim como já é feito em outras datas (13 de maio, por exemplo) o dia 15 de outubro deve se transformar!
Não é mais uma data só para festas, ele deve ser lembrado como um dia de protesto e reflexão, uma luta constante por valorização. Aí sim quando obtivermos isso, aceitarei de bom grado todos os parabéns que “aqueles poderes” quiserem me dá.
Quando cheguei em casa naquela noite, estava exausta. Passei o dia todo trabalhando, em pé com uma dor de cabeça infernal, tudo que queria era descansar e como de práxis me joguei no sofá, minha irmã na outra poltrona começava a falar do seu dia, quando de repente, como se lembrasse de algo que precisava me contar, se virou para mim e disse:
- Você não imagina quem morreu hoje! Não é nenhuma celebridade artística, mas era muito importante para a tecnologia.
Imediatamente lembrei-me de uma reportagem sobre o gênio da Apple, na qual falava da sua saída da empresa e de sua doença, lembro-me de suas fotos, assustadoras devidas seu estado quase cadavérico.
Quando falei Steve Jobs, minha irmã apenas confirmou minhas suspeitas, fiquei triste, postei isso nas páginas de meu “face” e vi um amigo me recriminar, afinal qual meu contato com Steve Jobs?
Ora nenhum, a não ser que sou mais uma das centenas de milhares de pessoas que utiliza as máquinas inventadas por ele.
Minha tristeza por Steve Jobs é semelhante a tristeza que sinto quando alguém a quem não conheço, mas respeito muito morre. Evidentemente ele foi antes de tudo um gênio, mas meu respeito a ele vai além de sua genialidade, meu respeito a ele reside na sua perseverança e na sua capacidade de se reinventar.
Como todas as mídias já falaram Jobs foi rejeitada por sua mãe biológica, uma universitária que prezava tanto a graduação que não quis ou não pode ficar com filho e entregou à adoção, seu único desejo era que os pais da criança fossem graduados, o casal escolhido foi um advogado e sua esposa, que quando chegou a hora de buscar a criança desistiu, pois queriam uma menina. Assim os pais de Steve Jobs foram um operário, que não terminou o 2º grau, e uma dona de casa, que foram buscá-lo assim que contatados.
Ele cursou o High School, provavelmente sofrendo Bulying (ele era o próprio esteriótipo de Nerd), entrou na faculdade, mas desistiu, acreditando que o esforço dos pais para pagá-la não valia a pena, convenceu-os. Ele abandonou a universidade, mas não as aulas que passou a assistir como ouvinte, passou a dormir, de favor, no chão do quarto de amigos, andava mais de 10km até templos budistas para ganhar um prato de comida, estudava só e se reinventa, montou com um amigo, no quintal de sua casa, o que seria um dia uma das maiores empresas de tecnologia do planeta, apostou na idéia de um computador pessoal.
Vence, cresce, enriquece e é demitido, pelo sócio, da empresa que ele mesmo criou.
Não desiste, se reinventa, aposta tudo em uma nova empresa, cria a Pixar e lança nos cinemas Toy Story, Sucesso! A Pixar toma proporções grandiosas ao ponto de sua maior concorrente, a Disney, resolver comprá-la, não havia como vencê-la.
E Jobs novamente vence, é chamado para voltar a sua antiga empresa e volta com mais novidades, IPod e IPhones... E a Apple decola a uma magnitude inimaginável.
Até que veio o câncer, um tipo raro, agressivo, no pâncreas, o próprio médico disse para ele deixar seus negócios em ordem e realmente ele deixou, surgiu os IPads.
Mesmo diante da morte ele continuou sendo o que ele sabia ser, Gênio!
É por isso que eu o respeitava e admirava.
Ele assim como, Bill Gates e Mark Zuckerberg, mostraram que mesmo sendo nerds, humilhados, excluídos e rejeitados, na infância e adolescência, quando se tem perseverança e coragem há como se tornar um vencedor.
Evidentemente quando se é o adolescente a espera pelo futuro pode e é assustadora, mas não há nada mais rico que o amadurecimento e isso só podemos perceber com o tempo, coisa que Jobs retrata como ninguém.
Em seu discurso em Stanford, uma das mais prestigiadas universidade dos EUA, ele deixa a seus ouvintes três histórias de sua vida, que na minha interpretação pode ser sintetizada em algumas lições:
1.Você não pode conectar os pontos olhando para frente, você só pode fazer isso olhando para trás, portanto você tem que confiar que um dia eles serão ligados.
2.Você tem que descobrir o que ama, seu trabalho vai preencher uma grande parte de sua vida e a única maneira de está satisfeito é acreditar que é um ótimo trabalho e a única maneira de fazer um trabalho excelente é você amar o que faz.
3.A morte é provavelmente a melhor invenção da vida, pois ela é o agente de mudanças, ela tira o velho do caminho e abre espaço para o novo. Hoje você pode ser o novo, mas inevitavelmente você será o velho algum dia, em outras palavras seu tempo é limitado, portanto não o gaste sendo quem você não é. Tenha coragem de seguir seu coração e intuição elas já sabem o que você quer mesmo antes de você se dar conta disso.
O vídeo já virou hit na net e eu vos deixo para que tirem suas próprias conclusões.
Eu já tirei as minhas;
PS: Meus agradecimentos a Mariza Nobre que de certa forma me incentivou a escrever esse texto. O vídeo também é dedicado a você Mariza e a Vinícius, espero que ele contribua em algumas decisões.
Quando criei “As Crônicas de Nila”, pensei em um espaço para escrever coisas não tão sérias, este blog foi pensando como um lugar para colocar minhas ficções, meus devaneios, trivialidades e cotidianos para quem sabe, escrevendo despreocupadamente, eu voltasse a ter prazer em escrever academicamente.
Todavia meu cotidiano é repleto de coisas sérias e acadêmicas e às vezes não há como fugir dessa realidade. Habitualmente surge em meu universo profissional e acadêmico coisas que me deixam tão barbarizadas que só escrevendo ou gritando para poder me acalmar e essa semana foi uma das repletas de atrocidades contra a educação, que vão desde a situação caótica que o governo trata a educação até colegas de trabalho que são incapazes de conduzir uma discussão acadêmica com calma e serenidade, separando as divergências intelectuais dos problemas pessoais.
Essas questões me deixam extremamente tristes, o discurso vazio, desprovido de experiências que os políticos utilizam para eleger-se é tão enraizado na cultura de nossa população que por mais que lutemos para extingui-lo sempre teremos aqueles que inconscientemente se levantam e defendem e estes também podem ser professores e intelectuais.
Outra questão que me revoltou essa semana, e de certa forma acaba ligada a primeira, foi o descaso do poder público com a escola. Sei que muitos vão afirmar: Ah! Mas isso é comum!
De fato é comum, mas jamais irei me acostumar, não posso me acostumar, minha ÉTICA não me permite!
Essa semana os ônibus que conduzem os alunos de casa par escola e vice versa, simplesmente “pregaram”. E não pregaram por que as estradas estão esburacadas a ponto de invalidar uma peça ou furar um pneu, não pregaram porque são ônibus velhos sem estrutura ou segurança para carregar quase 200 alunos, não, não foi por isso. Pregaram pelo simples fato de não ter óleo.
Isso mesmo meus caros amigos, os ônibus não tinham óleo, combustível para rodar.
O resultado foi quase 80 alunos tendo que voltar à escola a pé, com apenas um funcionário, que os acompanha no ônibus para deixá-los, em meio a uma estrada perigosa com elevado fluxo de carretas e caminhões, pois a região é repleta de indústrias de extração de minério e jazidas de areia, pedra etc.
O pior foi ver o desespero e a humilhação de quem é responsável por essas crianças na escola, que começou a ligar insistentemente para providenciar uma solução ao impasse.A distância da escola para algumas comunidades estão a quase 20 km de distancia da escola e ir a pé enquanto anoitecia era loucura, para não dizer crueldade!
Mas a resposta as súplicas só veio 2horas depois. Eu atendi ao telefone:
“Diga à diretora que já enviei um e-mail ao secretário, ele já está sabendo do ocorrido”.
Email? Às 19 horas? E os ônibus? Não vão vim?
Não, ele não foram, não houve ônibus para levar as crianças.
Pais chegavam de bicicletas, a pé, de carro, caminhonete, de carona, atrás dos seus filhos, os que sobraram foram de ônibus coletivo depois que foi pedido carona.
É assim que essa administração trata a educação, distribuindo leite, fardas, mas não dando o que é de fato seu dever EDUCAÇÃO.
A escola em que trabalho agoniza e só funciona porque uma parte dos professores é extremamente compromissada, mas há 14 carências, isso significa que faltam 14 professores para completar o quadro. Existem turmas que não tem professor de Educação física, por exemplo, há mais de quatro anos. Não há coordenadores em nenhum dos turnos, os funcionários, que fazem o serviço administrativos, estão a três meses com salários atrasados, os professores contratados não recebem em dia e o microônibus que fazia o transporte dos alunos a noite simplesmente deixou de aparecer com a justificativa que não dinheiro para colocar gasolina e a demanda do Eja é muito pequena.
Por que são menos alunos eles não tem os mesmos direitos? Eu me pergunto para onde vai a verba do Fundeb?
Nem posso responder, pois assim como na ditadura militar onde a liberdade de expressão era tolhida, temos até Deputadas, partidárias da administração, ligando para as rádios de oposição ameaçando de processo por falar a verdade.
A lei é usada a favor dos exploradores e A Censura de hoje se chamar Processo.
A mudança só poderia vim pela Educação, mas como se essa política, que é mais baixa que a neoliberalista, sucateiam as escolas e negligência professores a quem mais precisa?
Como poderá haver mudanças se as crianças não têm com chegar às escolas?
Como poderá haver mudanças se não sabemos para onde vai a verba destinada a educação? Será que vai para pagar as propagandas que dizem “você pode não ver, mas estamos trabalhando”?
A propaganda do Canal Futura diz que são as perguntas que movem o mundo, mas por quanto tempo terei que perguntar para obter respostas?
Esse sentimento é uma coisa até difícil de descrever, é algo que você sente e pronto.
Às vezes ele se torna irracional, por mais que você saiba que não há nem um problema, que está tudo perfeitamente normal e controlado você não tem como dizer ao cérebro (ou será coração?) para não sentir o que sente.
Quando não controlado ele te prejudica, envergonha, paralisa até. As pessoas ao teu redor costumam te consolar dizendo que está tudo bem que já passou ou ainda vai passar.
Se vocês pensam que estou falando de amor, errou! O sentimento descrito é o Medo. Incrível como ele pode ser descrito com algumas características do amor, claro que do amor não correspondido. E acho que isso ocorre porque quando amamos a quem não nos ama, o medo se instala diretamente.
Mas não venho aqui para falar das semelhanças de amor e medo, venho para desabafar, para relatar um pouco de minha experiência com o medo, não o medo do que possa acontecer no futuro ou medo comum de violência, desastres, acidentes etc., hoje eu venho falar das fobias.
Segundo a Wikipédia, Fobia (do Grego φόβος "medo"), em linguagem comum, é o temor ou aversão exagerada ante situações, objetos, animais ou lugares, às vezes essas fobias ganham até seu próprio nome como aracnofobia (medo de aranhas), claustrofobia (medo de lugares fechado) a tantas outras.
Por minha vez meu medo irracional é por agulhas. É comum na infância você ter medo de injeções e por mais que você não goste da coisa o processo de amadurecimento te faz compreender que aquilo é necessário para você.
Todas as vezes que tive que tomar injeções ou fazer exames, ou ainda ter que me furar de alguma forma eu pensava assim, eu preciso de todo um processo de conscientização para poder suportar as agulhas, e é claro nunca, em hipóteses alguma olhar o objeto em si.
Mas recentemente fiz um exame chamado eletroneuromiografia, fui na maior inocência a primeira parte do exame o médico, um neurologista que no meu caso era um mcsteamy (quem assiste Gray Anatomy vai entender) começa a fazer uma série de teste, aqueles martelinhos em que ele vai batendo em partes do teu corpo e você vai tendo reações involuntárias, levanta a perna, o braço e etc, é engraçado e até ai eu achei divertido.
Depois ele começa a dá pequenos choques com um aparelhinho em pontos medidos milimetricamente, é desconfortante, mas não chega a doer, são mais alguns sustos que qualquer outra coisa, eu até ria com a situação.
Mas a última parte do exame para mim foi uma tortura, meu médico antes de fazer qualquer coisa ele me explicava o que ia acontecer, quando ele disse enfiaria algumas agulhas para estudar os nervos eu simplesmente entrei em pânico.
Tentei me controlar fechei os olhos e a cada agulhada eu sofria, depois das quatro primeiras eu virei o rosto e vi o tamanho da agulha, daí me descontrolei, chorei copiosamente e o que é mais estranho é que eu dizia ao meu cérebro que estava tudo bem, mas meu corpo não respondia, as furadas não doem ou pelo menos eu acho que não dói, eu só conseguia pensar no tamanho daquela agulha no meu corpo, consegui realizar o exame mas fiquei numa situação deplorável, corri para a casa da minha amiga para abraçar minha afilhadinha e quem sabe entender o que eu passei.
Mais calma cheguei a algumas conclusões:
1.Não tenho um simples medo, tenho verdadeira fobia por agulhas, e olha que até achei o nome da coisa Aicmofobia, Aiquimofobia ou Belonofibia - Medo de agulhas, injeções, objetos pontudos ou perfurantes.
2.Definitivamente não farei acupuntura
3.Solidarizar-me-ei com todos que tiverem algum medo irracional.
Fiquei pensando como esse medo é estúpido, mas ainda assim impossível de não senti-lo, felizmente apesar de toda a vergonha, eu ainda posso controlar, quer dizer suportei sete agulhadas no meu corpo, não sei como me sentiria se tivesse mais.
11 de setembro de 2001, eu estava conversando com uma amiga com a TV ligada de repente ela se vira e diz: “Nila isso é de verdade?”
Quando olhei para TV vi uma das torres gêmeas caindo e a legenda passando em baixo das imagens: isso não é um filme, é real!
Eu me levantei eufórica, com os braços levantados e antes de falar qualquer coisa meus telefones começaram a tocar, o de casa e o celular. Eram meus amigos do curso de História ligando para eu ligar a TV e ver o que estava acontecendo, e enquanto eu falava com meu amigo/irmão Fred a outra torre caiu, bem diante de meus olhos!
Foi uma sensação incrível! Uma corrente de sentimentos e adrenalina estávamos presenciando um momento histórico fantástico, algo que mudaria toda a trajetória do mundo.
Devo confessar que naquela ocasião eu não pensei no número de mortes ou na dor das demais pessoas, pode parecer egoísmo de minha parte, mas naquele momento eu era uma estudante do curso de História, feminista, militante política e contra o neoliberalismo e o imperialismo norte-americanos, ver as torres gêmeas caindo era como ver um ataque ao coração do inimigo. Mas é claro que depois veio a pena.
Pena por todos aqueles que morreram sem nada haver com a história, pena pelas inúmeras famílias destruídas, pelos inúmeros órfãos que seguiram.
E depois veio o medo. Medo pelo o que aconteceria, medo do modo que os EUA reagiriam, medo por uma 3º guerra mundial.
Lembro-me muito bem como as TVs foram atrás dos historiadores para explicar a crise que estava se instalando. Eu dava aula nesse dia e ao chegar ao colégio, coloquei uma TV na sala e começamos a analisar as falas dos especialistas a imagens e as noticias em tempo real. Nunca mais falei de História contemporânea como aquele dia.
É claro que os acontecimentos que seguiram após o ataque foram desastrosos, os EUA se auto - intitularam paladinos da justiça e o seu presidente foi quase um papa ao convocar uma Cruzada contra o Islã ao qual ele denominou Terrorismo. Países que não tiveram nada haver com o ataque foram atacados e destruídos, justificativas de guerras foram inventadas, pessoas foram manipuladas e inocentes foram torturados em nome de acabar com o terror.
Mas pode o Terror acabar com o Terror? Quem treinou e armou os terroristas que atacaram os EUA? Quem sabia dos ataques e duvidou que eles iam acontecer?
Teorias da conspiração surgiram e minha preferida foi descrita e esmiuçada por Michael Moore em seu documentário Fahrenheit 9/11. Um filme incrível que mostra como os EUA viveram o “grande medo” pós ataque e como seu políticos reagiram criando uma guerra para acalmar um país e desviar a atenção dos verdadeiros culpados pela atrocidade que eles viveram. Michael Moore não tem medo, nem “papas na Língua” em apontar e acusar esses culpados. O filme merece ser assistido é uma fonte excelente para análises.
Passado estes 10 anos, vivemos em mudo onde os EUA não são mais os únicos senhores da economia mundial, aquela a qual eles tanto temiam e treinavam seus “terroristas” para atacá-la tornou-se uma potencia que se embate de igual para igual. Mas em uma coisa eles conseguiram vencer, aumentaram exponencialmente o xenofobismo, o preconceito e os estereótipos aos diferentes.
Exportaram até novos conceitos para designar isso quando acontece nas escolas, continuam vendendo seu modo de vida americano, mas deixando clara que a melhor parte da vida é para eles.
Talvez minha analise sobre o “11 de setembro” devesse seguir outro caminho, mas cientifico quem sabe, ou ainda nos moldes estipulado pelo governo norte americano de como esse episódio deve ser lembrado. Mas esse acontecimento foi algo que vi e sentir, faz parte da minha experiência de vida e na História as experiências falam mais que os fatos.
Por isso prefiro contar uma História vista de baixo, por anônimos que apenas confiar na oficialidade dos governos. Compartilho minha experiência com vocês.
Ops! Passei uma semana sem escrever, mas isso porque na semana anterior coloquei dois post, então tô perdoada né? ^_^
Bom, mas de qualquer forma quase me esqueci dessa semana, fiz tanta coisa, mas tanta coisa que nem sei por onde começar.
Minha cabeça fervilhou de idéias, mas como eu mesmo disse a vocês estou com uma imensa dificuldade em escrever, e quando eu finalmente sento na frente d o PC para escreve "puft" some tudo...
Mas vamos deixar pra lá, estou procurando um aplicativo para poder escrever no blog pelo celular, mas ainda não o encontrei, acho que quando eu achar vai ser mais rápido para postar as idéias, me deu muita vontade de escrever enquanto eu ouvia uma entrevista no rádio do Tico Santa Cruz, o programa era o Pânico.
Detesto o programa de TV, mas o do rádio é ótimo, vai entender né, mas enfim o Tico foi um cara que aprendi a respeitar ele tem um visual para lá de estranho, facilmente estereotipado como um marginal, mas o cara possui uma consciência política e social que já vi poucas vezes em jovens bandas
E olha que não estou falando dele hoje, passei a respeitá-lo depois que o vi no MM festival, o Detonautas era uma das bandas que ia tocar, eu fui apenas pelo Rapa, que amo de paixão, mas me surpreendi com a banda do Tico, não tanto pela musica, mas pelo fato dele ter parado o show para intervir em um briga e passar a maior lição de moral nos dois idiotas que brigavam, foi essa atitude que me fez "olhar" as letras e dizer, nossa até que estes Ogros têm conteúdos (o termo ogro não tem o mesmo significado do usado no vocabulário das redes sociais, o chamava de ogro pelo jeito grutal em que ele se apresentava)
Passei a ouvir e até a gostar de Detonautas. Ao ouvi-lo na jovem pan passei mais ainda a admirá-lo. A entrevista falou de tudo um pouco, mas se concentrou em como o universo das músicas de rock, ou daqueles que se dizem rock, está atualmente. É claro que ele falou de Restat tomando muito cuidado para não criar uma intriga generalizada, mas o Tico falou a mais pura verdade, essas bandas são uma moda como tantas outras que vai passar e desaparecer, e citando Lobão disse: “quando essas meninas começarem a menstruar elas vão procurar outras coisas” e é isso mesmo daqui um tempo bandas como Restat serão só lembranças por isso aos meus colegas reacionários tenham calma. As musicas de Chico, Legião, Titãs, Cazuza, serão para sempre e essa geração fatalmente se encontrará com elas quando estiver maduro o suficiente para compreendê-las.
Sei que é difícil agüentar a exposição exagerada que elas têm, eu mesma não suportava nem sequer falar delas e já começava o discurso de como é absurdo o que as crianças e os adolescentes escutam hoje em dia e blá, blá, blá, até que uma simples frase de minha amiga me fez repensar todo meu conceito sobre isso:
“Nila, o Restat de Hoje são os Menudos de ontem”,
Nossa! Vocês não sabem como isso me chocou e me conscientizou. Tudo tem seu tempo! Como pude esquecer-me disso? O que me faz lembrar outra frase fantástica do Tico:
“Eu quero que minha não seja uma banda em que os jovens vão ter vergonha de dizer que eram fãs”
Pois é... Eu era fã dos Menudos. Não sinto completamente vergonha, mas também não é uma coisa que eu me orgulhe e saia espalhando por ai (apesar de eu acabar de fazer isso né?, ^_^)
Hoje eu escuto Rapa, Roupa Nova, Capital, Engenheiros, Titãs, Cazuza, Chico, etc., etc. Por isso caros amigos sempre que seus filhos, alunos ou qualquer outra criança que estiver perto ouvirem suas bandinhas e idolozinhos adolescentes, tenham calmos!